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  • Osvaldo Amado, Enólogo Director da Global Wines

    Revista de vinhos - 08/06/2017

    CASA DE SANTAR. Nobreza e altivez

    Emblema do Dão, na Casa de Santar respiram-se ventos de mudança. Novos lançamentos reforçam a aposta na criação de uma imagem de prestígio e de exclusividade, com vinhos que procuram refletir história e “terroir”, capazes ainda de desafiar os ditames do tempo.

    A paisagem não engana. É aqui o nosso destino. Do lado direito da imensa reta que nos leva até Nelas, vindos de Viseu, surge um manto de vinhedos que é raro vermos no Dão. Por estas paragens não há outra igual. É mesmo a maior vinha contínua da região, com mais de 100 hectares. São os vinhedos de Santar, da Casa de Santar, caso único numa região vitivinícola que fundou os “terroirs” nas clareiras dos pinhais, nas pequenas porções de terreno que sobravam de outros plantios, de diferentes espécies vegetais.

    A maior parcela de Santar é a Vinha dos Amores, uma encosta privilegiada em termos de solo e de exposição solar onde se localizam as melhores uvas de Encruzado e de Touriga Nacional. Antes da vinha, um cruzamento que nos leva até à adega, que fica mesmo no centro da vila, paredes-meias com a Casa de Santar, edifício brasonado historicamente ligado à produção de vinho cuja fundação remonta a finais do século XVIII.

    Hoje no universo da Global Wines – que muitos ainda conhecem como Dão Sul – a produção de vinho na Casa de Santar conheceu um salto qualitativo nos últimos anos. Com efeito, nas décadas de 60 e 70, e também no início dos anos 80 do século passado, a Casa de Santar ainda vendia a produção de vinho a granel, primeiro à Carvalho, Ribeiro & Ferreira e, mais tarde, à Calém, que então comercializava o vinho sob a marca Conde de Santar. Foi apenas em meados da década de 80 que a família nobre da Casa de Santar decidiu começar a engarrafar os próprios vinhos. E só posteriormente é que surgiria a marca Casa de Santar, por incentivo da distribuidora Vinalda e de José Casais, em particular.

    A equipa da Revista de Vinhos – A Essência do Vinho é recebida por Osvaldo Amado, o experimentado enólogo diretor da Global Wines (Cabriz, Casa de Santar, Paço dos Cunhas, Quinta do Encontro, Herdade Monte da Cal e Rio Sol, entre outras marcas e propriedades) e Rui Correia, diretor de marketing e vendas do grupo. O objetivo desta deslocação é fazermos uma prova de vinhos, brancos, tintos e um colheita tardia, mas o momento é naturalmente aproveitado para conversarmos também um pouco sobre a realidade e a história da Casa de Santar.

    Uma realidade agradavelmente marcada, na perspetiva da Global Wines e da Casa de Santar, por algo que Rui Correia faz questão de sublinhar: “O Dão é uma região demasiado exclusiva para estar nos segmentos baixos. Se somos líderes da região com um vinho de 4€, que é o caso de Cabriz, queremos também ser conhecidos e conotados com os topo de gama do nosso país através de um vinho que a câmara de provadores do Dão considerou ser o melhor de sempre desta região – o tinto Casa de Santar Nobre 2013. Trata-se de um vinho que temos a noção que vai evoluir bem e que daqui a muitos anos será lembrado como o primeiro vinho Nobre do Dão. E foi a Casa de Santar a consegui-lo”.

    Na verdade, o ano de 2017 começou com essa boa notícia. A equipa de enologia liderada por Osvaldo Amado submeteu à aprovação da câmara de provadores da Comissão Vitivinícola Regional (CVR) do Dão um lote de 15 barricas selecionadas de um conjunto de 75 barricas novas e 25 de segundo uso – e esse lote foi aprovado como “Nobre”, a mais alta distinção regional, que requer a atribuição, no mínimo, de 90 pontos em 100 por parte dos provadores oficiais.

    A designação existe há mais de 25 anos mas, como explicou Arlindo Cunha, o presidente da CVR Dão, a exigência burocrática contida na legislação criada para esta denominação de origem quase que impedia que fossem aprovados vinhos como “Nobre”. Porquê? Porque este qualificativo só podia ser atribuído por uma equipa especial de provadores. Há quatro anos, porém, a legislação foi alterada e as aprovações passaram a poder ser feitas pela câmara de provadores, que analisa todos os outros vinhos da região.

    Mesmo assim, foi preciso esperar quatro anos até que surgissem os primeiros “Nobre” do Dão. Nos brancos, a distinção foi conseguida apenas pelo vinho Fonte do Ouro 2014, de Nuno Cancela de Abreu, e nos tintos pelo vinho de que estamos agora a falar: o Casa de Santar 2013. A importância deste momento foi de tal ordem que a Global Wines aproveitou a distinção para mudar a imagem da marca e reforçá-la com a introdução de dois novos vinhos “premium” no portefólio, que passarão a ser os topos de gama da Casa de Santar, tinto e branco, sempre que não haja “Nobre”: o Vinha dos Amores Touriga Nacional e o Vinha dos Amores Encruzado. Dois varietais das castas mais emblemáticas do Dão. O primeiro Vinha dos Amores Touriga Nacional é de 2011 e o Vinha dos Amores Encruzado de 2014.

    Embora a aposta em vinhas de uma só casta tenha alguma tradição na Casa de Santar, não deixa de ser um risco fazê-lo com estas castas em concreto e em vinhos de um segmento alto. Vejamos a explicação do enólogo Osvaldo Amado: “Quisemos encontrar a diferenciação ao encarar o desafio de fazer vinhos com as castas mais emblemáticas da região. Temos na Casa de Santar um capital de confiança e de notoriedade que nos permite fazer isto. Claro que ir buscar a originalidade é sempre mais complicado… mas desafios como este são os melhores”. Ao que o diretor de marketing ,Rui Correia, atalhou: “Fomos irreverentes, mas daqui a dez anos talvez reconheçam que fomos visionários, pois deste modo poderemos ver como evoluem em categorias superiores, no Dão, a Touriga Nacional e o Encruzado ”.

    Aliás, nesta visita à Casa de Santar pudemos confirmar a propalada capacidade dos vinhos daqui oriundos para evoluírem com enorme competência, afirmando-se duradouros e elegantes como poucos. É esse o caso do Reserva 1995, vermelho acastanhado, com aromas onde ainda persiste a fruta fresca, embora envolvida por uma elegante folha de tabaco e notas de cacau, um vinho que se exprime na boca com uma frescura surpreendente. Ou o fantástico Reserva 1974, com um nariz dominado pelos aromas balsâmicos e das especiarias, cuja prova de boca – com taninos elegantes, bela acidez e notas de café e tabaco – dá imenso prazer.

    A nossa prova – e visita – à Casa de Santar não podia ter terminado de melhor maneira.

    Source: http://www.revistadevinhos.pt/beber/casa-de-santar, in 08/06/2017

    Sociedade Agrícola de Santar 3520-127 Santar - Portugal

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    Sobre nós

    A Casa de Santar foi fundada em 1790 e é, hoje, uma das marcas mais emblemáticas do Dão, fruto da sua história e dimensão e do prestígio e elegância dos vinhos aqui produzidos.

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